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Entenda o “cohousing”, uma nova forma de morar para os idosos

Antes da Vila dos Idosos, Ruy Almeida (foto), 80, chegou a morar em uma instituição de longa permanência para idosos (ILPI) por dois anos. “Prefiro muito mais aqui. A gente entra e sai e ninguém pergunta nada ou nos controla. Tenho liberdade de ir e vir.” Foi lá que ele conheceu sua namorada, Lia Loureiro, 78. Ela também diz que não consegue nem pensar na hipótese de morar em uma casa de repouso: “Tenho pavor”. Projeto de Héctor  Vigliecca, arquiteto que é referência em habitação social, a Vila dos Idosos estimula o convívio: ali há horta, espelho d’água onde os moradores costumam tomar banho de sol e lavanderia coletiva. Lá, o idoso pode morar sozinho ou com até uma pessoa. No momento, há 200 moradores.

Cohousing, abreviação de collaborative housing (casa colaborativa, em tradução livre para o português), é um tipo de moradia organizada por um grupo de pessoas com afinidades ou interesses comuns. Neste modelo, cada um mora em sua própria casa, para preservar a privacidade, mas compartilha espaços comuns, além de decisões administrativas e econômicas.

É diferente de um condomínio, em que você dificilmente conhece seus vizinhos. O modelo tem a intenção de criar uma comunidade para conviver, algo inspirado nas tribos. O conceito surgiu na década de 1970, na Dinamarca, e foi popularizado pelo arquiteto norte-americano Charles Durrett.

No Brasil, ele é disseminado pela arquiteta Lilian Lubochinski, estudiosa do assunto desde os anos 1980. Ela, que tem 69 anos, está, inclusive, formando um grupo para criar (e morar) em uma cohousing na capital paulista. “Tem um termo que eu gosto muito que é o neo-tribal. A gente está recuperando uma dimensão tribal de fazer as coisas juntos, de dividir o cuidado.”

Enquanto na cohousing as pessoas dispõem de moradias individuais e compartilham áreas comuns, na república o grupo habita a mesma casa. Ambos os modelos propõem redução de custos e convívio e são alternativas de moradia para idosos com autonomia física e mental.

A República de Idosos de Santos (foto), no litoral de São Paulo, é pioneira no Brasil. Inaugurada em 1996, conta hoje com três unidades geridas pela prefeitura da cidade. Elas são mistas e têm em média 5 moradores cada -com idades entre 65 e 89 anos.

Entre os pré-requisitos para morar lá, estão dispor de autonomia física e psíquica e ter renda até dois salários mínimos. O custo é de R$ 170 e inclui água, luz e aluguel. Os moradores dividem tarefas, inclusive domésticas.

Ela ainda conta que as reuniões para estabelecer local do terreno e custos da primeira cohousing do Brasil estão em andamento, mas provavelmente não será um valor simbólico, como o da Vila dos Idosos ou da República.

Fonte: UOL

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