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Rede Geronto participa de II Seminário Luso-Brasileiro de Inovação & Envelhecimento Humano com Enfoque em Saúde Digital na Universidade do Porto

12 de junho de 2024 – O segundo dia do II Seminário Luso-Brasileiro de Inovação & Envelhecimento Humano com enfoque em Saúde Digital, realizado na Universidade do Porto, trouxe debates e apresentações focadas na saúde conectada e na educação para a longevidade. Pesquisadores e especialistas de várias partes do mundo compartilharam suas experiências e insights sobre o uso da tecnologia para melhorar a qualidade de vida dos idosos.

Painel 1 – Saúde Conectada

O primeiro painel do dia, mediado por Aline Teixeira Alves do CIU – Universidade de Brasília, focou na saúde conectada e nas inovações digitais para o cuidado e bem-estar dos idosos.

Principais Apresentações:

  •  Serious Games e o Autocuidado: Leonardo Costa Pereira, do Centro Integrado de Ensino e Pesquisa UniSER, destacou como jogos sérios podem ser ferramentas eficazes para promover o autocuidado entre os idosos, incentivando práticas saudáveis de forma interativa e envolvente.

Pereira afirmou que “os estudos sobre a aplicação de serious games na saúde do idoso mostram métodos inovadores e eficazes para aumentar o conhecimento, transmitir mensagens persuasivas, mudar comportamentos e influenciar resultados de saúde. Contudo, o desenvolvimento desses jogos é complexo e deve assegurar três aspectos: motivação dos usuários (intrínseca e extrínseca), maximização do potencial de aprendizagem conforme os ‘quatro pilares da aprendizagem’, e avaliação dos jogos com regras pré-definidas.

É necessário estabelecer grupos de controle para comprovar a relevância do jogo no ensino/aprendizagem, destacando a importância de um desenvolvimento cuidadoso do projeto.”

  •  Educação para a Saúde Digital e Inovação Biomédica: João A. Fonseca, da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, apresentou as estratégias educacionais voltadas para a formação em saúde digital, enfatizando a importância da inovação biomédica no ensino. Fonseca destacou que “a transformação digital é, atualmente, incontornável no contínuo desenvolvimento dos cuidados de saúde.

As soluções digitais promovem a sustentabilidade e a eficiência dos sistemas de saúde, proporcionando mais bem resultados em saúde, serviços e qualidade, sendo várias as frentes de atuação, desde o apoio ao diagnóstico e à administração dos processos de gestão clínica, passando pela identificação de padrões de doença.

Esta transversalidade exige o domínio de várias áreas do conhecimento e a capacidade de as integrar através do desenvolvimento de soluções tecnológicas aplicadas ao domínio da saúde.”

  •  O Design como Importante Estratégia para a Saúde Digital: Ana Correia de Barros, do Fraunhofer AICOS Portugal, discutiu como o design centrado no usuário é crucial para o desenvolvimento de tecnologias de saúde digital que sejam acessíveis e eficazes para a população idosa. Barros afirmou que “as minhas pesquisas têm como foco o design inclusivo e de produtos de assistência nos cuidados de saúde, tanto em casa (por exemplo, lidar com doenças crónicas) como no trabalho (por exemplo, lidar com a saúde mental face às condições de trabalho).

Nestes contextos, estou particularmente interessada em design espontâneo, apropriação de produtos e relações afetivas humano-produto para idosos.”

  •  Longevidade Conectada e Estação de Telessaúde: Chao Lung Wen, da Universidade de São Paulo, falou sobre a integração de telessaúde e tecnologias conectadas para promover a longevidade saudável, permitindo um monitoramento contínuo e cuidados personalizados. Wen ressaltou que “a saúde moderna pode ser vista como um processo que encadeia um conjunto de ações de promoção de saúde (Cadeia Produtiva de Saúde).

Os sistemas público e privado podem oferecer, de forma universal, serviços de qualidade e que garantam a prevenção de doenças e a rápida recuperação de pacientes, com efetivo acompanhamento domiciliar. E aí está o papel da Telemedicina: possibilitar o aumento da eficiência, fortalecendo o lado humano.”

  •  Steps to Organisational Change Towards Digital Health for Elders: João Teixeira Sousa, da Knokcare, abordou as etapas necessárias para a transformação organizacional rumo à saúde digital, focando nas adaptações e mudanças necessárias para atender às necessidades dos idosos. Sousa enfatizou que “precisamos humanizar a transformação digital dos cuidados de saúde para todos, em todo o lado.”

Painel 2 – Educação Conectada

O segundo painel do dia, mediado por Isabelle Patrícia Freitas Soares Chariglione, abordou as diversas abordagens educacionais para a longevidade, destacando o papel da tecnologia na educação contínua dos idosos.

Principais Apresentações:

  • Experiências Educativas a partir da Utilização da IA: Alejandro Otero, da Federación Galega de Asociaciones Universitarias Séniors (FEGAUS), compartilhou experiências de uso de inteligência artificial para criar programas educativos personalizados para idosos. Otero destacou que “nosso objetivo é oferecer formação contínua aos idosos da Galiza por meio dos Programas Universitários Seniores. Esses programas valorizam os alunos idosos como agentes ativos no desenvolvimento social, cultural e científico. Promovemos a participação virtual na Sala de Aula Interativa, disponibilizando conteúdos sociais e educativos que complementam a formação dos idosos e contribuem para uma nova cultura de evolução pessoal.”
  • Estratégias de Ensino para E-Health: Antônio Bonacaro, da Universidade de Parma, apresentou estratégias de ensino voltadas para a educação em saúde eletrônica, destacando a importância de preparar os idosos para o uso de tecnologias de saúde. Bonacaro enfatizou que “a saúde digital pode ser aplicada em nível comunitário para melhorar a saúde da população através do uso de tecnologias digitais. Por exemplo, os dados recolhidos pelas tecnologias wearable podem ser usados para monitorar a saúde da população, identificar tendências epidemiológicas e desenvolver estratégias de intervenção georreferenciadas. Além disso, a saúde digital pode ser usada para melhorar o acesso aos serviços de saúde por meio de telemedicina e consultas à população idosa.”
  • A Tecnologia em Intervenções Educativas ao Longo da Vida: Margô Gomes de Oliveira Karnikowski, da Faculdade de Ceilândia – Universidade de Brasília, falou sobre o uso da tecnologia em intervenções educativas contínuas, promovendo a aprendizagem ao longo da vida. Karnikowski destacou que “o CIU, vinculado à Faculdade de Ceilândia (FCE/UnB) e à Faculdade de Agronomia e Veterinária (FAV), é um espaço criativo fomentador e promotor de ensino, pesquisa, extensão e gestão, cujas ações são realizadas por equipe interdisciplinar de pesquisadores, estudantes de graduação e pós-graduação e da Rede Humanizar (constituída pelos idosos da UniSER, da comunidade do DF e de outras universidades seniores distribuídas pelo Brasil e União Europeia). É importante para a Universidade de Brasília firmar-se como um referencial na produção de tecnologias sociais que fomentem a cidadania. Para tanto, o CIU entende necessária a união das iniciativas pública e privada, enquanto estratégia para dirimir a lacuna existente entre a geração de saberes, o desenvolvimento de tecnologias de inovação basilares à produção de bens e serviços em benefício da sociedade.”
  • Inovações em Metodologias Utilizadas nas Universidades Séniores: Luís Jacob, da Associação Rede de Universidades da Terceira Idade (RUTIS), discutiu as metodologias inovadoras utilizadas nas universidades seniores para envolver e educar a população idosa. Jacob contou que “a RUTIS representa as 368 universidades seniores portuguesas com os seus 67.000 alunos e 7.500 professores voluntários. Essas universidades são importantes para o combate ao isolamento social e contra a solidão de muitos idosos, principalmente fora dos grandes centros urbanos. Neste novo período governativo e quando 22% da população portuguesa tem mais de 55 anos.”

                    Conclusão do Segundo Dia

O segundo dia do seminário foi marcado por discussões ricas e apresentações inovadoras, reforçando a importância da integração tecnológica na saúde e educação dos idosos. As sessões destacaram como as tecnologias digitais podem ser usadas para promover a saúde, o bem-estar e a aprendizagem contínua, contribuindo para um envelhecimento ativo e saudável. O evento continua nesta quinta- feira (13) com mais apresentações e debates sobre temas cruciais para o envelhecimento humano e a inovação em saúde digital.

Fonte: Suzana Funghetto

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