O pesquisador Theo Augusto Lopes apresentou, no evento de Imersão Itália 2025 da Rede Geronto, um estudo sobre os impactos do climatério na cognição feminina. O climatério é um período de transição caracterizado pela redução da produção de estrogênio, resultando em sintomas como fogachos, distúrbios do sono e alterações de humor. Evidências sugerem que tais mudanças podem impactar funções cognitivas, especialmente memória, atenção e função executiva. Todavia, a relação entre climatério e cognição ainda não é totalmente compreendida.
Uma revisão integrativa da literatura foi conduzida em bases como PubMed, SciELO e LILACS, analisando artigos publicados entre 2020 e 2024. A análise categorizou os resultados em três eixos: atresia folicular, autopercepção do climatério e fisiologia do climatério. Os estudos indicam que o estrogênio exerce um papel neuroprotetor, modulando neurotransmissores e promovendo a plasticidade sináptica. Sua redução no climatério está associada a um pior desempenho em testes de memória verbal e fluência cognitiva. Ademais, neuroimagens apontam alterações metabólicas no córtex pré-frontal e hipocampo.
Além das alterações hormonais, fatores como sintomas vasomotores e distúrbios do sono afetam a atenção e a velocidade de processamento cognitivo. A depressão, mais comum nessa fase, também agrava déficits cognitivos. No entanto, a vulnerabilidade varia conforme fatores individuais, como escolaridade, atividade física e reserva cognitiva.
A terapia hormonal apresenta resultados controversos: pode beneficiar mulheres sintomáticas, mas também implica riscos cardiovasculares para determinados perfis. Alternativamente, intervenções não farmacológicas, como exercícios cognitivos, dieta mediterrânea e controle do estresse, mostram-se seguras e eficazes.
O climatério representa um período de vulnerabilidade cognitiva para algumas mulheres, demandando estratégias preventivas e acompanhamento médico interdisciplinar. A integração entre ginecologia, neurologia e psicologia é essencial para um envelhecimento saudável. Recomenda-se uma triagem cognitiva regular e a adoção de hábitos que fortaleçam a reserva cerebral, contribuindo para uma melhor qualidade de vida nessa fase.