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Cerca de 300 mil idosos brasileiros vivem com algum grau de autismo, aponta estudo

Um estudo recente divulgado pela CNN Brasil revela que aproximadamente 300 mil idosos no Brasil apresentam algum grau do Transtorno do Espectro Autista (TEA). O dado chama atenção para uma realidade ainda pouco discutida no país: o envelhecimento da população autista e a falta de políticas públicas específicas voltadas a esse grupo etário.

Segundo os pesquisadores, o número pode ser ainda maior, já que muitos idosos nunca receberam diagnóstico ao longo da vida. Isso se deve, em grande parte, ao fato de que o autismo passou a ser mais amplamente reconhecido e diagnosticado apenas nas últimas décadas. Durante a infância e a vida adulta desses idosos, o TEA era pouco compreendido, frequentemente confundido com traços de personalidade, dificuldades de socialização ou até transtornos psiquiátricos.

O estudo destaca que pessoas idosas com autismo enfrentam desafios específicos, como maior risco de isolamento social, dificuldades no acesso aos serviços de saúde, barreiras na comunicação com profissionais e ausência de suporte adequado na velhice. Além disso, muitos convivem com comorbidades, como ansiedade, depressão e doenças crônicas, o que exige um cuidado integral e especializado.

Especialistas ouvidos pela pesquisa reforçam a importância de capacitar profissionais da saúde e da assistência socialpara identificar sinais do TEA também na população idosa. O diagnóstico tardio, embora não mude a condição, pode trazer benefícios importantes, como maior compreensão sobre a própria trajetória de vida, acesso a direitos, acompanhamento adequado e melhoria da qualidade de vida.

O levantamento também chama atenção para a necessidade de incluir o autismo nas discussões sobre envelhecimento ativo e saudável, considerando que a população brasileira está envelhecendo rapidamente. De acordo com o IBGE, o número de idosos no país cresce de forma acelerada, o que torna urgente pensar políticas inclusivas que contemplem a diversidade do envelhecer.

Para os pesquisadores, reconhecer a existência de idosos autistas é um passo fundamental para combater a invisibilidade desse grupo e garantir que o envelhecimento aconteça com dignidade, respeito e acesso a cuidados adequados, reforçando que o autismo não desaparece com a idade, mas acompanha o indivíduo ao longo de toda a vida.

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