Bolonha consolida-se como referência internacional no cuidado à pessoa com demência ao articular prevenção, informação, inovação tecnológica e humanização do cuidado hospitalar. As ações são conduzidas no âmbito da rede municipal de saúde, sob a liderança da Simona Linarello, Chefe da Geriatria do Município, com a atuação direta da Lucia Amadori, geriatra integrante da rede territorial e hospitalar.
Um dos pilares dessa estratégia é uma plataforma digital específica do município de Bolonha, criada para oferecer informação rápida, acessível e visual, especialmente voltada também para públicos mais jovens. Somente em 2023, o site registrou mais de 30 mil acessos, consolidando-se como o meio mais efetivo de disseminar conteúdos sobre prevenção da demência, atividades comunitárias e formação. O acesso é livre e aberto a toda a população, com navegação facilitada por QR Code apresentado nos eventos.
A plataforma reúne informações sobre ações formativas, iniciativas comunitárias, encontros educativos e atividades terapêuticas, como a musicoterapia, integrando cuidado clínico, bem-estar emocional e convivência social. Todas as ações são identificadas por um símbolo visual em forma de flor, que funciona como marca de reconhecimento da rede e facilita a identificação das iniciativas ligadas à demência em todo o território.
No âmbito comunitário, o trabalho desenvolvido pela equipe liderada pelas geriatras reforça o conceito de “comunidade amiga da demência”, ampliando o cuidado para além dos serviços de saúde. As atividades são abertas a qualquer pessoa interessada, não apenas a familiares ou cuidadores, fortalecendo a inclusão social e reduzindo o estigma associado à condição.
No contexto hospitalar, a rede de demência de Bolonha incorpora dispositivos inovadores, como a Delirium Room, uma sala específica destinada ao acolhimento de pacientes com delirium e distúrbios graves de comportamento. A proposta se baseia em uma filosofia de cuidado humanizado, com ambiente flexível e adaptado, que utiliza estímulos sensoriais controlados — como luz, sons e cores — para reduzir a desorientação e a agitação do paciente, evitando contenções e intervenções farmacológicas desnecessárias.
A experiência reconhece que, nos quadros de delirium, a percepção da realidade está profundamente alterada e que o ambiente passa a ser parte ativa do tratamento. Dessa forma, a Delirium Room contribui para maior segurança clínica, menor sofrimento e melhor qualidade do cuidado hospitalar à pessoa idosa com demência.
Integradas a iniciativas de inovação como o Living Lab, as ações coordenadas pela equipe de geriatria de Bolonha demonstram como é possível construir um ecossistema completo de prevenção, cuidado e inclusão, unindo tecnologia, território, comunidade e humanização. A experiência reafirma o papel estratégico da geriatria na organização dos sistemas de saúde frente ao envelhecimento populacional.
