Com o avanço do envelhecimento da população brasileira, o cuidado com a saúde mental dos idosos torna-se um tema cada vez mais urgente e necessário, especialmente diante da solidão, que se consolida como um dos principais desafios dessa fase da vida.
A solidão é considerada um fator de risco relevante para a saúde, associada ao aumento de casos de depressão, doenças cardiovasculares e até declínio cognitivo. Segundo dados de uma pesquisa da Universidade Estadual de Campinas, publicada na revista científica “Cadernos de Saúde Pública”, reforçam esse cenário: quase 17% dos idosos relataram sempre sentir solidão, enquanto 31,7% afirmaram se sentir sozinhos ocasionalmente.
Projetos criativos ao redor do mundo
Iniciativas ao redor do mundo exploram caminhos criativos para enfrentar a solidão na velhice. Na Bélgica, por exemplo, um projeto leva pessoas idosas para pistas de dança, transformando a experiência da “balada” em um espaço de socialização, alegria e reconexão. A proposta rompe estereótipos sobre o envelhecimento e mostra que o convívio social pode ser prazeroso, ativo e cheio de significado.
Outra abordagem inovadora vem do Reino Unido, onde a arquitetura tem sido usada como ferramenta de cuidado. O residencial Appleby Blue, premiado internacionalmente, foi projetado especificamente para combater a solidão entre idosos, priorizando espaços compartilhados como jardins, cozinhas comunitárias e áreas de convivência.
Em Seul, na Coreia do Sul, o governo criou um plano de ação com linhas de apoio 24 horas, acompanhamento presencial, plataformas digitais de aconselhamento e iniciativas comunitárias, como atividades ao ar livre e espaços de convivência, além de um sistema para identificar pessoas em situação de isolamento. A estratégia parte do reconhecimento de que a solidão não é apenas uma questão individual, mas um desafio coletivo que exige ação coordenada do poder público e da sociedade.
Revista Diálogos em Gerontologia
Na Revista Diálogos em Gerontologia, que você pode acessar aqui: https://revista.redegeronto.com.br/index.php/dialogos/article/view/31, abordamos como a promoção de grupos de apoio, aliada à atuação qualificada dos profissionais de saúde e ao fortalecimento de políticas públicas voltadas ao envelhecimento ativo, mostra-se essencial para garantir não apenas a longevidade, mas a qualidade de vida da população idosa.
Investir em vínculos, escuta e participação social é um caminho efetivo para reduzir impactos negativos na saúde mental e construir uma sociedade mais inclusiva e preparada para o envelhecer.
Por Mauricio Pascoal
Fonte:
ade-entre-jovens-e-idosos.shtml
