O Brasil deu um passo importante e necessário na agenda do envelhecimento. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) anunciou oficialmente a entrada do país na Rede Global de Cidades e Comunidades Amigas das Pessoas Idosas, iniciativa coordenada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
O movimento não vem sozinho. Ele se conecta à publicação recente da Portaria nº 399/2026, que institui o Programa Nacional de Cidades e Comunidades Amigas das Pessoas Idosas, sob coordenação do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, por meio da Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa.
E os números deixam isso evidente essa reorganização do país, seus territórios, serviços e políticas, diante de uma transformação demográfica que já está em curso. O Brasil já soma quase 36 milhões de pessoas idosas, o grupo que mais cresce no país, e, até 2039, terá mais pessoas com mais de 60 anos do que crianças e adolescentes com menos de 15.
A adesão foi formalizada na última sexta-feira, 20 de março, em uma cerimônia que reuniu governo federal, organismos internacionais, especialistas e lideranças do setor. A Rede Geronto esteve presente, como expertise no assunto, atuando na produção de conhecimento, na formação e na articulação técnica em torno do envelhecimento.
O programa
O Programa Nacional se organiza em 12 eixos estratégicos, que vão da participação social e inclusão digital à saúde, mobilidade, moradia, meio ambiente e garantia de direitos. Com um ciclo inicial de cinco anos, renovável por mais cinco, o projeto nasce com a pretensão de se consolidar como política de Estado, e não apenas como iniciativa de governo.
Hoje, 69 municípios brasileiros já possuem certificação como Cidades Amigas da Pessoa Idosa. Com a entrada do Brasil na rede global, esse acúmulo ganha escala, visibilidade e também maior responsabilidade.
O desafio, neste momento, é conhecido: fazer com que as diretrizes saiam do papel. Isso passa, inevitavelmente, por coordenação entre governo, academia e sociedade civil. É nesse ponto que redes como a Geronto deixam de apenas acompanhar o processo e passam a ocupar um lugar estratégico na sua condução.
Por Mauricio Pascoal
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