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Óculos com IA podem ser aliados no cuidado de pessoas com demência

Uma solução inovadora ganha atenção ao materializar, na prática, novas possibilidades de cuidado para 55 milhões de pessoas que vivem com demência no mundo: óculos com IA podem ajudar idosos a identificar objetos, reconhecer rostos e oferecer orientações em tempo real por meio de áudio e estímulos visuais projetados nas lentes, além de responder a perguntas simples do usuário.

A tecnologia foi criada pela CrossSense, empresa voltada ao desenvolvimento de soluções para pessoas com demência, reconhecida com um importante prêmio financiado pela Alzheimer’s Society e pela Innovate UK.

A proposta se insere em um campo crescente de inovação assistiva, que busca não apenas fortalecer a saúde, mas garantir qualidade de vida durante o envelhecimento, um dos pilares centrais das discussões em gerontologia contemporânea.

As demências, incluindo a Doença de Alzheimer, representam um dos principais desafios para os sistemas de saúde e redes de cuidado. A progressiva perda de memória, orientação e autonomia exige suporte contínuo, frequentemente envolvendo familiares, cuidadores e equipes multiprofissionais.

Além do impacto individual, há também uma sobrecarga significativa para os sistemas de saúde. Segundo a Organização Mundial de Saúde, estima-se que o número de pessoas vivendo com demência possa triplicar até 2050, impulsionado pelo envelhecimento populacional.

A tecnologia pode chegar em 2027

Os óculos com inteligência artificial, que contam com a assistente virtual Wispy, devem chegar ao Reino Unido em 2027 e prometem mudar a forma como as pessoas com demência vivem.

Ao interagir com o usuário, a tecnologia aprende seus hábitos e se adapta progressivamente às suas necessidades, acompanhando inclusive o avanço da doença.

Em situações mais delicadas, quando o usuário não consegue se lembrar de uma etapa específica de uma tarefa, a assistente orienta de forma simples e direta sobre o que deve ser feito. Em testes práticos, três em cada quatro pacientes relataram melhora significativa na qualidade de vida com o uso dos óculos e das funcionalidades oferecidas pelo sistema desenvolvido pela empresa britânica.

Conexão com a pesquisa em gerontologia

A experiência internacional tem mostrado que o avanço tecnológico no cuidado à pessoa idosa está diretamente ligado à qualificação dos profissionais e à integração entre ensino, pesquisa e prática. Iniciativas formativas desenvolvidas em países como a Itália reforçam a importância de um olhar ampliado sobre o envelhecimento, considerando não apenas a inovação tecnológica, mas também o cuidado centrado na pessoa, a interdisciplinaridade e a construção de redes de atenção mais eficientes.

Nesse contexto, a atuação da Rede Geronto se conecta a um movimento global de transformação do cuidado, aproximando profissionais, conhecimento e experiências internacionais. A tecnologia, nesse cenário, não substitui o cuidado humano, mas se consolida como uma aliada na construção de um envelhecimento mais digno, ativo e integrado às demandas contemporâneas da saúde.

Por Maurício Pascoal

Fonte: Good News Network 

Foto: SWNS

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