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Novos dados apontam para a importância de redes especializadas de cuidados para idosos

O envelhecimento populacional no Brasil avança de forma acelerada e impõe novos desafios aos sistemas de saúde e às políticas públicas. Segundo projeção da Redirection Internacional, o mercado brasileiro de cuidados essenciais para idosos deve crescer 7,5% ao ano até 2030.

Além disso, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) projeta um aumento significativo da população idosa até 2050, podendo chegar a cerca de 75 milhões de pessoas, o que representa um crescimento de aproximadamente 37,8%.

Esses números já impactam diretamente a estrutura de cuidado disponível no país. O Brasil conta atualmente com cerca de 7 mil Instituições de Longa Permanência para Idosos, segundo a Frente Nacional de Fortalecimento à ILPI. Embora esse número represente o dobro do registrado em 2010, ainda é insuficiente para atender à demanda crescente, que deve triplicar nos próximos 30 anos em toda a América Latina, de acordo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Outro desafio relevante é a distribuição desigual desses serviços. Aproximadamente 75% das instituições estão concentradas nas regiões Sul e Sudeste, enquanto cerca de 90% pertencem ao setor privado, conforme dados da Fiocruz. Esse contexto evidencia não apenas a limitação da oferta, mas também a necessidade de maior equilíbrio regional e ampliação do acesso.

As perspectivas econômicas e sociais também indicam um movimento de consolidação do setor. A tendência é de crescimento nas atividades de fusões e aquisições, com entrada de novos investidores e expansão da rede de atendimento. Atualmente, cerca de dois terços do mercado de saúde no Brasil já é atendido pelo setor privado, e essa participação tende a aumentar com o avanço de segmentos como os cuidados de longo prazo.

Nesse contexto, a Rede Geronto se destaca ao promover a conexão entre pesquisa, formação e práticas de cuidado, consolidando-se como um importante espaço de articulação entre academia, serviços e políticas públicas.

Sua atuação internacional, especialmente na Itália, um dos países com maior proporção de idosos no mundo, reforça esse compromisso. Com baixas taxas de natalidade, alta expectativa de vida e mais de 2,4 milhões de pessoas com 85 anos ou mais, o país oferece importantes referências para a organização de sistemas de cuidado mais integrados e eficientes.

As ações de imersão e pesquisa desenvolvidas nesse contexto contribuem diretamente para a construção de soluções sustentáveis, fortalecendo redes de cuidado e promovendo uma velhice com mais qualidade de vida, dignidade e protagonismo.

Por Maurício Pascoal

Fonte: Medicina S/A

Foto: grupoacasa

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