Enquanto o país debate matrículas e percentuais de inclusão escolar, uma questão estrutural segue sem resposta adequada: quem cuida da formação dos profissionais que vão receber, nas salas de aula e nos serviços de saúde, uma população cada vez mais diversa e mais velha?
Apenas cerca de 151 mil professores possuem formação em educação inclusiva com carga horária superior a 80 horas, ou seja, aproximadamente 6% do total de docentes. Dados do MEC apontam que somente 40%, segundo informações citadas pela imprensa especializada, possuem preparo específico para o atendimento educacional especializado. O resultado é uma inclusão pela matrícula, não pela aprendizagem. Alunos presentes nas salas, mas sem as condições reais para se desenvolver.
O que a lei diz
A Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) determina que o Estado garanta formação adequada aos profissionais da educação e que as escolas estejam preparadas para receber todos os estudantes em todos os níveis de ensino. O descompasso entre o texto legal e o cotidiano das salas de aula, porém, persiste. Faltam materiais adaptados, tecnologias assistivas, profissionais de apoio e, sobretudo, formação.
A inclusão que ainda não se vê: o envelhecimento
Quando o debate sobre educação inclusiva se concentra apenas na infância e juventude, ignora uma parcela crescente da população. O Brasil envelhece em ritmo acelerado, e o direito à educação não tem prazo de validade.
A aprendizagem ao longo da vida, tema que a Rede Geronto defende com consistência, precisa estar na pauta da formação docente, não como apêndice, mas como eixo estruturante.
O Estado de São Paulo esboçou um movimento nessa direção ao lançar, em 2025, o curso “Envelhe Ciência”, voltado à capacitação de educadores da rede pública para incluir o tema do envelhecimento humano e das demências em suas práticas pedagógicas.
Inclusão real exige formação real
Para a Rede Geronto, o cenário da educação inclusiva confirma o que sua agenda já sinalizava: não basta incluir pela presença. A integralidade da atenção, seja na escola ou na saúde, exige qualificação especializada, recursos adequados e respeito à autonomia de cada pessoa.
Fontes: Melhores Escolas Médicas / EFAPE/SEDUC-SP – EnvelheCiência / Lei nº 13.146/2015
Foto: MEC
Por Maurício Pascoal
