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Longevidade é tema de Imersão na Universidade de Bolonha

Bolonha (Itália) – A Rede Internacional de Estudos e Pesquisas e Sistemas de Cuidado no Envelhecimento – Rede Geronto deu início, na manhã do primeiro dia de sua Imersão Internacional, a uma intensa agenda acadêmica voltada à reflexão sobre os desafios contemporâneos do envelhecimento populacional e à construção de uma cultura de longevidade.

A programação ocorreu das 9h às 11h, no Departamento de Psicologia da Universidade de Bolonha, com a realização da Mesa Redonda intitulada “A segurança atual do recrutamento da população e da produção de conhecimento para uma cultura de longevidade”. O encontro reuniu pesquisadores e profissionais brasileiros e italianos em um espaço qualificado de diálogo científico e institucional.

Participaram da mesa o Professor Rabih Chattat, Professor Ordinário de Psicologia Clínica da Universidade de Bolonha, e o Professor Alcindo Ferla, da UFRGS, do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) e da Rede Unida.

Representando a Rede Geronto, Suzana Schwerz Funghetto realizou a saudação institucional, agradecendo ao Professor Rabih Chattat pela acolhida no Departamento de Psicologia da Universidade de Bolonha e ao Professor Alcindo Ferla pela participação e parceria da Rede Unida. Em sua fala, destacou a relevância do intercâmbio internacional como estratégia para o fortalecimento da produção de conhecimento, da formação de profissionais e da construção de respostas inovadoras aos desafios do envelhecimento e da longevidade.

Durante o debate, o Professor Rabih Chattat apresentou um panorama demográfico da Itália, ressaltando que o país enfrenta um envelhecimento populacional acelerado, sendo atualmente o mais idoso da União Europeia. Segundo o pesquisador, cerca de 24,7% da população italiana tem mais de 65 anos, com idade média de 46,8 anos, cenário intensificado pela queda contínua da natalidade — que atingiu a média de 1,18 filhos por mulher em 2024 — e pela elevada expectativa de vida.

Principais aspectos do envelhecimento na Itália

• Recorde de longevidade: a Itália ultrapassou a marca de 23 mil centenários em 2025, majoritariamente mulheres.

• Redução populacional: projeções indicam uma diminuição significativa da população total nas próximas décadas.

• Causas estruturais: baixa taxa de fecundidade, adiamento da formação de famílias entre jovens e aumento da longevidade.

• Desigualdades regionais: o envelhecimento é mais intenso no sul e nas ilhas, como Sardenha e Sicília, enquanto o norte apresenta leve crescimento populacional.

• Impactos sistêmicos: maior pressão sobre o sistema de saúde, a previdência social e a redução da força de trabalho ativa.

• Os aspectos epidemiológicos e biológicos do envelhecimento provocam mudanças cognitivas, afetivas e sociais. 

• A psicologia e envelhecimento, com atenção especial aos fatores de adaptação e desadaptação na velhice e aos problemas psicológicos mais prevalentes na terceira idade, como dependência, demência e depressão devem ser alvo de atuação dos psicólogos e dos profissionais de saúde.

O debate também abordou a superação de visões estereotipadas sobre o envelhecimento. É difundida a ideia de que a velhice esteja inevitavelmente associada à perda progressiva de funções físicas e cognitivas, como audição, visão, memória, inteligência, agilidade e equilíbrio. No entanto, conforme destacado por Rabih Chattat, as pesquisas contemporâneas — especialmente estudos longitudinais — evidenciam um quadro muito mais heterogêneo, no qual nem todas as funções se modificam da mesma forma ou no mesmo ritmo. As trajetórias de mudança variam significativamente entre indivíduos e, inclusive, dentro do mesmo indivíduo, entre diferentes funções, sendo influenciadas por fatores intraindividuais, interpessoais e ambientais.

O Professor Alcindo Ferla ressaltou as semelhanças estruturais entre o sistema de saúde italiano e o Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil, sobretudo quanto aos princípios de universalidade, integralidade e organização em redes de cuidado, destacando a centralidade do território, da atenção primária e da articulação intersetorial para enfrentar os desafios do envelhecimento populacional em ambos os países.

A Mesa Redonda e as atividades subsequentes reafirmam o compromisso da Rede Geronto com a cooperação científica internacional juntamente com a Rede Unida, bem como a contínua formação qualificada de profissionais e a promoção de uma agenda estratégica voltada à longevidade, ao cuidado integral e à inovação em saúde e políticas públicas.

A Imersão Internacional da Rede Geronto segue até o dia 06 de fevereiro, com uma programação diversificada que inclui mesas de debate, seminários acadêmicos, visitas técnicas a instituições de referência e atividades formativas em serviços de saúde. Entre os eixos centrais, destaca-se a psicologia gerontológica, fundamentada nas descobertas científicas mais recentes sobre a longevidade e relevante tanto para aqueles que se aproximam da área pela primeira vez quanto para profissionais que já atuam com pessoas idosas. 

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