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Rede Geronto participa do evento inaugural da Age-friendly Conversation Series da OMS

A Rede Internacional de Pesquisas em Gerontologia e Sistemas de Cuidado no Envelhecimento (Rede Geronto) marcou presença no evento inaugural da Age-friendly Conversation Series (Conversas Amigáveis ao Idoso), lançado hoje, 26/03, pela Rede Global da Organização Mundial da Saúde (OMS) para Cidades e Comunidades Amigáveis à Pessoa Idosa. A proposta é criar um canal de troca de experiências entre cidades, sociedade civil e o processo de elaboração de uma Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas Idosas.

Com o tema “Direitos Humanos das Pessoas Idosas e a Elaboração de uma Convenção da ONU: por que isso importa para o avanço da equidade em cidades e comunidades amigáveis ao idoso?”, o encontro reuniu lideranças como Nena Georgantzi (AGE Platform Europe), Silvia Perel-Levin (NGO Committee on Ageing, Genebra), Thiago Herick de Sá (OMS), Rayne Stroebel (ILC Global Alliance) e Alexandre da Silva, Secretário Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa do Brasil.

O Brasil no debate global

A participação da Rede Geronto não foi apenas simbólica. Suzana Funghetto, CEO da organização, trouxe ao debate uma questão direta e necessária: como planejar políticas públicas universais que considerem as diversidades territoriais em um país que envelhece de forma desigual?

Ao comentar o tema, Suzana destacou que não existe uma única forma de envelhecer. “A velhice é diversa e muda ao longo do tempo. Compreender essas diferenças é fundamental para que políticas públicas sejam, de fato, eficazes e mais equitativas.”

Para Alexandre da Silva, Secretário Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa do Brasil, embora o país tenha registrado um crescimento expressivo da população idosa, passando de 6,1% em 1980 para 15,8% em 2022, o envelhecimento ainda é atravessado por desigualdades de raça, gênero e território. Esses fatores continuam sendo decisivos para quem envelhece com dignidade.

Mas alguns caminhos já começam a se consolidar. Em 20 de março, o Governo Federal formalizou a afiliação do Brasil à Rede Global de Cidades e Comunidades Amigas da Pessoa Idosa, em cerimônia realizada em Brasília, da qual a Rede Geronto também participou.

Do cuidado aos direitos

Um dos pontos mais fortes do encontro foi a mudança de perspectiva trazida pela futura Convenção da ONU. Mais do que adaptar cidades ou ampliar serviços, a discussão aponta para o reconhecimento da pessoa idosa como sujeito de direitos e protagonista das políticas públicas.

Thiago Herick de Sá, da OMS, provocou uma reflexão que atravessou todo o debate: O que significa, na prática, falar em equidade nas nossas comunidades?

Silvia Perel-Levin, NGO Committee on Ageing, reforçou que não é possível avançar sem enfrentar desigualdades estruturais, especialmente aquelas relacionadas a gênero, raça e território. Essa visão se conecta ao princípio que orienta toda a série: “Nada sobre nós, sem nós”. 

As pessoas idosas precisam estar no centro das decisões, não como destinatárias, mas como participantes ativas.

Global e local

A Rede Global de Cidades e Comunidades Amigas das Pessoas Idosas reúne hoje mais de 1.800 cidades e comunidades em todo o mundo. A Age-friendly Conversation Series surge como uma forma de fortalecer essa rede, criando espaços contínuos de diálogo sobre temas como equidade, conexão social e sustentabilidade.

A iniciativa também busca ampliar a participação das pessoas idosas na tomada de decisão, incentivar a produção de dados mais detalhados por faixa etária e apoiar ações voltadas a grupos que enfrentam maiores vulnerabilidades.

Para a Rede Geronto, estar presente nesse momento inaugural reforça um trabalho que já vem sendo construído há anos, conectando territórios, promovendo pesquisa e defendendo que equidade e direitos humanos sejam a base das políticas públicas voltadas ao envelhecimento.

Envelhecer com dignidade é um direito. E esse caminho começa agora.

Por Maurício Pascoal

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